Expedição Nacional: logística e a estética da indústria pesada
Grandes indústrias operam sob lógicas colossais de engenharia, precisão cronometrada e segurança intransigente. Quando fui contratado pela Votorantim Cimentos para documentar quatro de suas unidades mais emblemáticas no Brasil — Salto (SP), Saivá (PR), Sobradinho (DF) e Cimesa (SE) —, em 12 dias de trabalho de campo, o desafio foi rodar o País entre climas e terrenos opostos para entregar uma identidade visual única entre as plantas visitadas.
O risco operacional era o problema real: perda, dano ou extravio de equipamento a milhares de quilômetros de qualquer assistência técnica interrompe a produção sem chance de reagendar. A expedição foi montada com redundância total — câmeras, lentes, tripés e iluminação remota em pares, prontos para substituição imediata.
Ao todo, foram 12 dias intensos de trabalho em campo, onde a capacidade de entrega dependeu tanto do olhar artístico quanto de um planejamento estratégico blindado contra imprevistos, que mesmo assim insistem em aparecer.
Transporte e
logística aérea
O equipamento volumoso, pesado e ao mesmo tempo sensível viajou pelo Brasil sujeito à imprevisibilidade das companhias aéreas. A solução foi embalar tudo em caixas estanques e resistentes a impacto — que permitiu o despacho seguro e troca rápida entre aeroportos, estradas e frentes de lavra sem parar a produção.
Adaptação climática e operacional
O corpo e os equipamentos precisaram trabalhar tanto no calor intenso e umidade litorânea do Nordeste (Cimesa-SE), na altitude e clima seco do Planalto Central (Sobradinho-DF) quanto nas frentes frias do Sul e Sudeste (Saivá-PR e Salto-SP).

O DESAFIO
A singularidade do portfolio das unidades
Salto - a engenharia extrema dos túneis
A unidade em Salto de Pirapora (SP) é uma das plantas integradas mais tecnológicas do País, conectada à histórica Mina Subterrânea de Santa Helena.
O complexo conta com mais de 40 km de galerias escavadas sob a terra, incluindo túneis profundos que passam por baixo do leito do Rio Sorocaba.
Fotografar ali significou trabalhar sob muita poeira em suspensão, umidade severa e escuridão total, cortada só pelos faróis do maquinário e pelos flashes da equipe Empório Imagem. A luz foi montada de forma artificial e calculada para manter a textura da rocha bruta visível sem estourar os refletores de segurança — o desafio técnico era registrar a escala da operação sem perder o detalhe da rocha nem a leitura de segurança da cena.
Saivá - escala humana frente ao gigantismo
A mina abastece de calcário uma das maiores plantas de cimento da América Latina, na região metropolitana de Curitiba, com capacidade de produção diária de milhões de quilos.
Encontrar o equilíbrio visual em minas abertas, onde a variação solar severa cria sombras duras e forte contraste não permite simplesmente apontar a câmera e clicar. Utilizando enquadramentos imponentes e medição pontual de exposição, a opção foi mesclar o gigantismo mecânico dos caminhões fora de estrada à precisão e foco das equipes operacionais em campo.


Controle de qualidade
A ciência por trás da matéria-prima é a análise química minuciosa realizada nos laboratórios integrados da Mina Saivá (PR). O objetivo é garantir a pureza e a conformidade do calcário extraído antes do processamento industrial.
O desafio na hora de fotografar o ambiente ao lado, essencialmente estéril e visualmente caótico foi usar o recorte de luz e contraste.
Uma diretriz comum que mantemos aqui na Empório Imagem é interferir o mínimo possível na rotina dos trabalhadores, principalmente em áreas nas quais é preciso respeitar a concentração do profissional sem interferir na precisão do seu trabalho.
Para esta imagem, a iluminação foi desenhada para criar, de forma proposital, um forte contraste entre a penumbra do plano de fundo e o brilho translúcido do tubo de ensaio, destacando o líquido reagente em vermelho vibrante. A luz lateral esculpe as feições da cientista, evidenciando o foco no olhar e os reflexos nos óculos de proteção (EPI), transmitindo o rigor com a segurança e alta tecnologia envolvidos na operação.


Mesma empresa, realidades diferentes
Coprocessamento e sustentabilidade industrial
A unidade Fercal, em Sobradinho (DF), tem mais de 55 anos de operação contínua abastecendo o Distrito Federal com a marca Tocantins.
Operando 24 horas por dia, a fábrica destaca-se nacionalmente pela tecnologia de coprocessamento de resíduos em larga escala.
O desafio em campo foi fazer o registro de uma fábrica de ciclo completo exige versatilidade para capturar desde linhas de produção aquecidas até salas de controle modernas. A busca foi traduzir em imagens a eficiência ecológica e a autoridade de mercado da marca.
A força da infraestrutura no nordeste
Localizada no polo industrial de Laranjeiras (SE), na região metropolitana de Aracaju, a unidade Cimesa representa a solidez logística da marca na infraestrutura e mercado da construção no Nordeste.
A fábrica conecta estrategicamente a extração mineral regional com a distribuição em larga escala para grandes obras no litoral e interior. Sob a luz tropical nordestina intensa, o gerenciamento térmico dos equipamentos e o controle de reflexos foram essenciais para registrar os pátios de estocagem e silos monumentais, ressaltando o contraste entre a vivacidade do céu e os tons industriais de aço e concreto.
GALERIA DO PROJETO
Veja mais imagens desse trabalho

USO DAS IMAGENS
Relatório Anual e de Sustentabilidade
PRODUTORA EXECUTIVA
Emporio Imagem
FOTOGRAFIA
Enio Tavares
Fotografia corporativa com planejamento, direção e execução alinhados à estratégia de comunicação do cliente.















